Todo mundo que habitamos foi, um dia, uma interpretação que venceu.
Husserl chamou de Lebenswelt, o mundo-da-vida, esse solo que vem antes de qualquer teoria: o óbvio, o já dado, aquilo que nunca questionamos porque é a partir dele que questionamos tudo.
Nietzsche pergunta o que Husserl deixa em suspenso: de onde veio esse óbvio? A resposta é a vontade de potência, a força que interpreta, dá forma, hierarquiza e faz valer. O óbvio de um mundo é vontade de potência que esqueceu de si mesma: uma interpretação que triunfou tão completamente que já não parece interpretação, mas a própria realidade.
O problema começa quando a vontade sobrevive ao mundo que fundou. Ela deixa de habitar um horizonte e vira técnica pura, expansão sem forma, potência sem direção. Spengler chamou isso de civilização. Husserl, de crise.
A saída não é fugir do tempo, mas reativar o sentido do mundo em que se nasceu e assumi-lo como destino. Querer o próprio destino é o ato mais alto.
CEO Marco Aurélio Costa Zaccarelli Barreira
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